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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Jesus, um carpinteiro


Imagem de Destaque

ASSIM ELE ERA CONHECIDO PELO POVO DE NAZARÉ


As cidades ou as regiões adquirem fama pelas suas manifestações religiosas, seu folclore, culinária ou modo de falar. Algumas ficam conhecidas pelo jeito de ser de seu povo, gente expansiva ou reservada, com cartas "guardadas na manga" para serem jogadas em tempo oportuno. Há lugares, como Nazaré, onde viveu Jesus com Maria e José, que ficaram conhecidos como terra de gente brava e até revoltada.

Qualquer provocação servia para um levante, tanto que Jesus, conhecido como Nazareno, suscitava desconfiança em muitas pessoas, também porque as tradições não esperavam que pudesse vir, da Galileia, algum profeta. Pode acontecer também entre nós, pela avalanche de violência aliada à impunidade corrente, que se reforce a falha de sermos, hoje, uma das áreas perigosas do país. Não é difícil perceber como contribuímos para isso, pela facilidade com que classificamos áreas de nossa região metropolitana como “vermelhas” ou perigosas, vendo em cada desconhecido uma ameaça.

A Igreja quer enfrentar, com as armas do Evangelho, todas as situações desafiadoras, vencendo por amor e com amor, penetrando em todos os ambientes e superando preconceitos. Nosso projeto de Evangelização quer alcançar os que estão afastados da Igreja ou se sentem distantes, constituindo novas comunidades de fé nos lugares mais difíceis. Mais do que as eventuais estatísticas, interessa-nos dizer que todos são amados por Deus e candidatos à vida plena e à salvação, não nos sendo lícito arrefecer diante dos obstáculos. Vale a pena abrir os olhos e verificar como o espírito missionário já envolve muitos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, pessoas dedicadas a Deus e, mais ainda, uma enorme quantidade de cristãos leigos e leigas. Vamos chegar lá, contagiando muita gente com a unção missionária.

Os bispos da Região Amazônica, reunidos nesta semana em Santarém, renovaram suas disposições missionárias para que a Boa Nova alcance a todos em todos os rincões de nossa Terra. Saíram de lá com renovado entusiasmo a ser comunicado a todo o povo de Deus.
Assista também: "Por que caminhar com Jesus?", com o saudoso padre Léo



Voltando a Nazaré, ali Jesus ficou conhecido como carpinteiro, pois havia apreendido de São José este ofício tão digno quanto importante (Mc 6,1-6). Parece até que carpinteiro era mais do que o oficial das mesas ou cadeiras, mas um daqueles homens que sabiam fazer de tudo na construção de uma casa. Ainda se encontram pessoas assim por aí, com admirável conhecimento prático, de olhar profundo e prudência, calma no trabalho, poucas palavras e muita ação. Dá para pensar no Pai do Céu, contemplando a beleza e a bondade da criação, como descreve o livro do Gênesis.

Sendo Jesus Homem verdadeiro e Deus verdadeiro, tudo o que realizava envolvia a totalidade da vida humana, sem excluir qualquer área dos sentimentos e das aspirações das pessoas, tanto que ninguém passava em vão ao Seu lado. Ele que fazia bem todas as coisas e era o Carpinteiro de Nazaré! Aproximar-se d'Ele é descobrir o Seu segredo, pois o Carpinteiro é Profeta, é Messias, é Salvador.

Ter contato com Jesus Cristo é contemplá-Lo na fé, apurando nosso sentido sobrenatural, a fim de que a salvação seja acolhida e nossa vida transformada. N'Ele aprendemos a olhar também em torno a nós para valorizar os pequenos gestos e as pessoas que conosco convivem. Há um grito surdo pela valorização das pessoas, na superação de desconfianças e medos. É urgente dar nome de dignidade às pessoas que transbordam simplicidade e, com ela, a sabedoria. Elas estão aí, bem perto de nós. Muitas constroem frases quase ingênuas, que alguns pensam ser sabedoria de para-choque de caminhão! Outras sabem dar respostas precisas, ou sabem ouvir e prestar atenção como ninguém para tudo guardar num coração bom e puro.

Sabemos que quem segue Jesus,
 independente de sua condição social, idade ou cultura, passa a fazer parte do Evangelho, da história de Deus. Se o próprio Senhor teve dificuldades com alguns grupos, como os habitantes de Nazaré, onde Ele se tinha criado (cf. Mc 6,1-6), sabemos que Ele inicia uma nova família, destinada a edificar um novo mundo (cf. Mc 3,13-6,13) na superação das distâncias entre as pessoas, formada por quem quer realizar a vontade do Pai (cf. Mc 3,35). Os discípulos de ontem e de hoje têm a missão de estar com Jesus e ser enviados por Ele como companheiros de missão na luta contra o mal.

Ao tornar-se simples e competente carpinteiro em Nazaré, o Salvador entrou nas estruturas humanas para transformá-las. A liturgia nos faz reconhecer que pela humilhação do Filho amado, o Pai reergueu o mundo decaído (cf. Oração do XIV Domingo Comum). Ele ocupou todos os espaços humanos com Sua presença redentora. Tal constatação de fé nos permite acolher o dom da alegria nesta terra e almejar as alegrias eternas.

Foto Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém - PA
Dom Alberto Taveira foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte. Na Arquidiocese de Belo Horizonte foi ainda vigário Episcopal para a Pastoral e Professor de Liturgia na PUC-MG. Em Brasília, assumiu a coordenação do Vicariato Sul da Arquidiocese, além das diversas atividades de Bispo Auxiliar, entre outras. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Belém - PA.

Festa de Nossa Senhora da Saúde 2012


sexta-feira, 13 de julho de 2012

São Sebastião: Cavaleiro Cristão e Mártir

Jovem e virgem, conhecido por sua alta posição social e militar, rapidamente sua vida se tornou exemplo para a crescente comunidade cristã que tomava conta do Império Romano pagão.

A imensa quantidade de brasileiros que ostenta o nome Sebastião permite imaginar o quanto aquele santo militar romano é admirado e venerado em nosso país, o que também ocorre em numerosas outras nações, especialmente do Ocidente. Crianças são batizadas com seu nome, paróquias o têm por padroeiro, igrejas o festejam como titular, bairros e cidades também a ele se viS. SEBASTIAO MARTIR.jpgnculam na devoção ao santo que é tido como padroeiro dos soldados, arqueiros e atletas, sendo muito invocado no combate às epidemias. A Cidade Maravilhosa, uma das mais conhecidas em todo o mundo, tem por nome oficial "São Sebastião do Rio de Janeiro" (assim como a importante arquidiocese ali sediada), uma homenagem ao santo cujo nome era ostentado pelo então soberano português reinante à época em que a localidade recebeu a nominação.

Quem foi, porém, São Sebastião? Os registros oficiais são escassos a seu respeito, o que não impede que dele possamos ter muitas informações que emanam da feliz e indissociável combinação entre a história e a piedade popular, e que permite retratar, ainda que não exatamente a realidade, ao menos (o que é o mais importante) o espírito da realidade com que um militar cristão, servindo no exército de um dos mais sanguinários imperadores romanos, ajudou numerosas almas a não enfraquecerem na fé, consolando-as e permitindo-lhes trilhar de cabeça erguida o caminho do Paraíso; ademais, ele próprio não deixou, no momento oportuno, de declarar-se cristão, dando o testemunho e servindo de exemplo a numerosos outros seguidores de Jesus que enfrentavam as perseguições da Era dos Mártires, como foi chamado o período de busca e morte aos fiéis conforme ordenado pelo sanguinário imperador Deocleciano.

Já antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo os romanos chamavam Mare Nostrum ("nosso mar") ao Mediterrâneo, uma vez que todas as terras por ele banhadas faziam parte do império. Foi em uma região costeira, na província da Gália, correspondendo à atual cidade de Narbonne (França), que Sebastião veio ao mundo. Sua família era de Milão (na atual Itália), e não era ele inclinado à carreira das armas, tendo-a seguido por causa do desejo de servir aos irmãos na fé, que sofriam as perseguições.

Sebastião desempenhou corretamente seus deveres como soldado, mas por baixo das vestes militares estava um verdadeiro cristão, e dentro de seu corpo pulsava um coração ardente de desejos de apoiar os perseguidos e ajudá-los a seguir o Divino Mestre, não só durante esta vida mas também quando se encontravam prestes a partir para a outra. Mantinha em segredo sua fé, como era comum entre os cristãos nas épocas de perseguição, pois assim podia ajudar os que dele precisavam, mas não tinha receio de perder seus bens ou sua própria vida.

Uma de suas ações apostólicas refere-se aos irmãos gêmeos Marcos e Marceliano, que haviam sido aprisionados em Roma, os quais eram visitados diariamente por Sebastião. Submetidos a chicotadas, apesar de serem membros de família de senadores, foram condenados à decapitação, tendo seus familiares obtidos do administrador romano, chamado Cromácio, um prazo para que se tentasse mudá-los quanto à opinião. Mantidos acorrentados na casa do escriba da prefeitura, Nicóstrato, eram submetidos a tentativas de convencimento por parte de seus pais, suas esposas e seus filhos ainda pequenos, além de amigos, mas quando estavam em risco de fraquejar foram as palavras de Sebastião que os reanimaram, as quais impressionou a todos que as ouviram.

Zoé, esposa de Nicóstrato, discernindo em Sebastião um homem de Deus, atirou-se aos seus pés e por gestos indicou-lhe a doença de que padecia: uma doença lhe fizera perder a capacidade de falar. Sebastião fez o sinal da cruz sobre a boca de Zoé e pediu em voz alta a Nosso Senhor Jesus Cristo que a curasse, e imediatamente ela recuperou a dicção e pôs-se a louvar aquele homem, acrescentando que acreditava em tudo o que ele acabara de dizer. Diante da cura da esposa, o próprio Nicóstrato lançou-se aos pés de Sebastião e pediu perdão por ter mantido os dois cristãos aprisionados, libertando-os em seguida e declarando que se sentiria feliz se viesse a ser aprisionado e morto em lugar deles. E os dois irmãos, naquele momento libertados, recusaram-se a abandonar a luta para a ela expor outra pessoa, firmando-se na fé ao ver a ação de Deus, que anulou todos os esforços feitos para fazê-los abandonar a Igreja, além de nela ingressarem os donos da casa em que estiveram aprisionados.

Nas horas que se seguiram, outras pessoas também abraçaram a fé cristã, sendo 68 o número de pessoas convertidas e batizadas por São Policarpo, ali chamado por Sebastião: Nicóstrato, sua esposa Zoé, toda a família de Nicóstrato, seu irmão Castor, o carcereiro Cláudio com dois filhos e sua esposa Sinforosa, o pai dos gêmeos, chamado Tranquilino, com sua esposa Márcia e seis amigos, as esposas dos gêmeos, e dezesseis outros encarcerados.
Sem saber os detalhes - pois houvera sido enganado - o prefeito de Roma, Cromácio, que havia concedido aos gêmeos o período de espera para que renunciassem à fé, chamou o pai de ambos, Tranquilino, determinando que eles oferecessem incenso aos deuses;
Museu d'Art de Girona - Saint Sebastian (17th Century).jpg
Tranquilino então afirmou-se cristão, acrescentando que assim houvera sido curado de uma enfermidade da qual o prefeito também padecia. Cromácio disponibilizou dinheiro para conseguir a cura da enfermidade, arrancando de Tranquilino risos, tendo este assegurado que para ser curado bastaria recorrer a Cristo.

Após um instrutivo catecumenato, no qual foi explanada a superioridade da fé sobre a simples cura de sua doença, Cromácio e seu filho se tornaram também cristãos, permitindo que fossem quebradas mais de duzentas estátuas de ídolos que eram por eles adorados, bem como que fossem destruídos os instrumentos que eram utilizados para astrologia e outras práticas divinatórias. Porém não apenas aquele pai e seu filho se tornaram cristãos em sua casa, mas um total de 1.400 pessoas, incluindo escravos a quem deu a liberdade dizendo que os que passaram a ter Deus por pai não mais podiam ser escravos de um homem.
Diocleciano, tendo assumido o império romano, conservou Sebastião no posto, e lhe deu o cargo de capitão da primeira companhia de guardas pretorianos em Roma, depositando nele muita confiança.
Chegou, porém, o momento em que Sebastião afirmou-se cristão, depois de ter cuidado para que muitos trilhassem o caminho do Paraíso. Inconformado o imperador o enviou para a morte: foi preso a um tronco, e teve o corpo perfurado por flechas. Crendo-o morto, foi abandonado pelos que o supliciaram, mas uma piedosa viúva, que pretendia sepultá-lo com honras cristãs, encontrou-o vivo, tendo dele cuidado para que se recuperasse. Algum tempo depois, ei-lo apresentando-se a Diocleciano (que se surpreendeu ao vê-lo vivo), a quem censurou pela injustiça com que perseguia os cristãos, pois estes rezavam pelo império e por seus exércitos, mas eram supliciados como se fossem inimigos do estado.


O cruel imperador, obstinado em seus erros, mandou que Sebastião fosse imediatamente levado a um local próximo, onde foi morto a bordoadas. Foi sepultado na catacumba que atualmente leva seu nome, sobre a qual se ergue uma das sete principais igrejas de Roma, a Basílica de São Sebastião, na Via Appia.

Hino a São Sebastião
REFRÃO: Glorioso Mártir São Sebastião 
dê a seus devotos firme proteção, 
dê a seus devotos firme proteção
Por nós intercede junto ao Bom Senhor 
que salva seu povo em qualquer horror (bis)
Da peste e o flagelo, a fome e a guerra 
por tua bondade afasta da terra (bis)
Que assim preservados possamos viver,
p'ra seu santo nome sempre bendizer (bis)
 


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Lotação para Show de Padre Zezinho em Mossoró/RN


O casal Akson Guerra e Carina Kátia estão fazendo uma "lotação" para o show de Padre Zezinho que acontecerá no dia 22/09 no Porcino Park Center em Mossoró/RN. O show Melhores filhos, melhores pais, será em prol da reforma e restauração do Mosteiro Fraternidade de São Francisco de Assis, das Irmãs Clarissas.


Akson avisa que o preço será R$ 40,00 (Ingresso + passagem). Vale a pena conferir o show do maior cantor católico de nosso país e ainda ajudar nessa belíssima causa. Qualquer informação ligue para a secretaria da paróquia (84) 3337-2227.

Fica a dica.

Morre o fundador da Campanha da Fraternidade




Dom Eugênio Sales foi o grande responsável pela existência da Campanha da Fraternidade”, afirma padre José Adalberto Vanzella, doutor em Teologia, secretário executivo do regional nordeste 5 da CNBB. Artigo seu sobre o tema foi enviado à sede da Conferência em Brasília.
Padre Vanzella lembra que para compreender a participação de Dom Eugênio na campanha da Fraternidade da CNBB, “precisamos conhecer o processo histórico que possibilitou o surgimento da referida campanha. Este processo iniciou-se na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Durante a Segunda Guerra Mundial, Natal foi escolhida pelos Estados Unidos como lugar estratégico para comandar as tropas que lutavam no norte da África e, no final de 1941, a cidade, que tinha menos de 60.000 habitantes, recebeu 20.000 soldados norte americanos, o que gerou uma grande desordem social. O crescimento da cidade foi vertiginoso, de modo que, em 1950, a sua população era de 103.215 habitantes, o que significou um crescimento populacional de 84,18% em uma década. Se esse índice de crescimento fosse mantido, Natal seria hoje pelo menos quatro vezes mais populosa e uma das cinco maiores cidades do país”.
 O crescimento referido por padre Vanzella, no artigo, “veio acompanhado de sérios problemas que desafiaram a Igreja. Quem respondeu inicialmente aos desafios foi a Ação Católica que, a partir de 1945, deixa de ter apenas objetivos religiosos e missionários para se preocupar também com os problemas sociais, o que acontece com a realização da Primeira Semana da Ação Católica. O assistente eclesiástico das Senhoras da Ação Católica de Natal era o padre Nivaldo Monte. Ainda em 1945, o padre Eugênio de Araújo Sales, diretor espiritual do Seminário Menor São Pedro, de Natal, criou a Juventude Masculina Católica, e logo associou-se ao padre Nivaldo Monte na tarefa de responder aos desafios sociais da cidade de Natal. O resultado dessa união foi o estabelecimento de reuniões mensais, a partir de 1948, para discussão dos assuntos sendo que, aos poucos, todo o clero de Natal envolveu-se com a questão. O resultado dessas reuniões foi o surgimento do Movimento de Natal, que tem como referência de seu surgimento o ano de 1948, com ações sociais em diferentes frentes”.
 Em 1961, segundo padre Vanzella, a Cáritas Brasileira idealizou uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição, buscando autonomia financeira para a prática da solidariedade. Era uma campanha de coleta que deveria acontecer no tempo da quaresma colhendo os frutos do jejum e da penitência. Essa atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada, pela primeira vez, na Quaresma de 1962, em Natal (RN), a pedido do então Administrador Apostólico Sede Plena, dom Eugênio de Araújo Sales, que havia sido nomeado bispo auxiliar em 1954 e, em 1962, assumiu a direção da Arquidiocese. A iniciativa contou com adesão de outras três dioceses e apoio financeiro dos bispos norte-americanos. No ano seguinte, dezesseis dioceses do Nordeste realizaram a Campanha, sendo que o local onde ela obteve maior sucesso foi a Arquidiocese de Fortaleza, principalmente por causa do estímulo, apoio e comprometimento do seu arcebispo, dom José de Medeiros Delgado.
 “Em 1963, na cidade de Nisia Floresta, quatro religiosas da Congregação Missionária de Jesus Crucificado realizaram, à luz do Concílio Vaticano II que estava em andamento, uma experiência de inserção, indo morar na paróquia que era sede vacante e atuando como verdadeiras vigárias, inseridas também no contexto da Arquidiocese de Natal. Ao constatar a péssima condição de vida do povo e a necessidade de uma ação mais efetiva de solidariedade, criaram a Marcha da Solidariedade, caminhada a pé passando de casa em casa recolhendo doações para a solidariedade”, escreve padre Vanzella. “Esta caminhada usava de todos os recursos disponíveis como carro de som, faixas, cartazes, etc., e todos os meios de locomoção e acontecia na semana que precedia o Domingo de Ramos, terminando no domingo. Nesta caminhada, arrecadavam todos os tipos de doações, como roupas, utensílios domésticos, alimentos, remédios e, principalmente, produtos da agricultura local como o coco, mandioca, abóbora, etc. Alguns produtos eram distribuídos diretamente e outros comercializados nas feiras livres da região. Com os recursos angariados, eram comprados objetos que respondiam às necessidades da população como alimentos, redes, roupas, panelas, etc., que as irmãs distribuíam para as pessoas carentes nas suas próprias casas. A comunidade que mais participou desta atividade em Nísia Floresta foi a de Timbó, distante cinco quilômetros da sede, onde estive presidindo a Eucaristia e fiz uma reunião com os moradores que narraram fatos do início da Campanha da Fraternidade e pediram explicações sobre a situação atual da referida Campanha”.
No artigo, padre Vanzella lembra que “durante o desenvolvimento do Concílio Vaticano II, o Cardeal Suenens fez um discurso, no final da primeira sessão, que gerou uma discussão entre o episcopado brasileiro sobre a realização de uma campanha de arrecadação de fundos para a ação social. A consequência dessa discussão foi que, durante uma reunião dos Bispos do Brasil, na casa Domus Mariae em Roma, que aconteceu em outubro de 1963, foi aprovada a realização da Campanha da Fraternidade em âmbito nacional, seguindo o modelo que acontecia no Estado do Rio Grande do Norte”.
A partir das decisões desta reunião, segundo o texto do padre Vanzella, “Dom Helder Câmara, Secretário-Geral da CNBB, escreveu uma circular a todos os bispos do Brasil, datada de 26 de dezembro de 1963, que ficou conhecida como ´certidão de nascimento da Campanha da Fraternidade´ na qual coloca os seus princípios fundamentais: ´Excelência: É, provavelmente, do seu conhecimento o plano de uma Campanha Nacional, na linha de coletas que são feitas na Alemanha Católica. Embora ainda estejamos estudando com técnicos em publicidade o lançamento desta promoção, permita a confiança fraterna de enviar-lhe o primeiro esboço do que está ocorrendo como sugestão. Por favor, envie-nos uma primeira reação urgente: a) Em tese, a ideia lhe agrada? b) A Diocese de V. Excia. aderirá à Campanha? c) Que impressão lhe causa o material remetido? Tem sugestões a apresentar? Aguardo suas instruções e suas ordens o amigo em Jesus Cristo”.
 “A criação da Campanha da Fraternidade, no Rio Grande do Norte, não foi um ato isolado na vida de Dom Eugênio, mesmo porque este ato foi um avanço num processo que ele vinha desenvolvendo há anos. Todos esses fatos nos mostram como a caridade moveu o seu coração, assim como a sua sensibilidade em relação ao sofrimento humano, que se mostrou presente em toda a sua vida como, principalmente nos trabalhos que ele realizou em Salvador e no Rio de Janeiro”, conclui padre Vanzella.

Festa de Sant'Ana - Campo Grande/RN

Padre Zezinho em Mossoró-RN